Riscos relacionados a desmatamento no setor de frigoríficos brasileiro: impactos sobre a JBS, Marfrig e Minerva


O desmatamento na Amazônia e Cerrado tem estado nos holofotes da agenda ESG brasileira nos últimos anos. Diversos estudos apontam que atividades agropecuárias têm sido um dos principais causadores desse impacto. Investidores estão cada vez mais preocupados sobre como os impactos relacionados a desmatamento podem afetar o valor das empresas de proteína animal. A SITAWI elaborou um estudo (disponível em inglês) que avalia o nível de exposição de frigoríficos brasileiros em relação ao risco financeiro ligado ao desmatamento, e como essas empresas estão respondendo a esse desafio.

Ao informar meus dados, estou ciente e concordo com as diretrizes da Política de Privacidade da SITAWI.

Principais Mensagens

1. Riscos

Dentre as principais empresas de proteína animal no Brasil, a Minerva é a mais exposta a riscos financeiros ligados a desmatamento em sua cadeia de produção: a empresa possui a maior exposição a carne bovina e exportou cerca de 140 mil toneladas provenientes da Amazônia e Cerrado em 2021. Além disso, seus fornecedores diretos e indiretos podem ter causado o desmatamento de cerca de 50 mil hectares de vegetação nativa nestes biomas desde 2019;


Todas as empresas estão expostas a bancos e investidores que já demonstraram preocupações acerca dos riscos de desmatamento: mais de 30% dos credores de JBS, Marfrig e Minerva possuem políticas ou compromissos contra o desmatamento. Isso pode representar maiores taxas de juros e menor acesso ao crédito caso eles deixem de atingir suas metas ligadas a desmatamento. Recentemente, a Marfrig tomou um empréstimo vinculado a metas ESG (sustainability linked loan) no valor de USD 30 milhões. Caso a companhia não consiga atingir 100% de rastreabilidade de sua cadeia de fornecedores direta e indireta até 2025, a taxa de juros desse empréstimo irá subir em 100 bps. Em outubro de 2025, a JBS emitiu um título de dívida com metas similares e um step up de 25 bps.


O acesso a mercados externos deverá ficar mais restrito se as empresas de frigoríficos deixem de atingir seus compromissos anti-desmatamento: barreiras não tarifárias são recorrentes na indústria de frigoríficos. Quase todos os grandes importadores do Brasil já implementaram sanções relacionadas a questões sanitárias no passado. A pressão internacional para redução do desmatamento na Amazônia aumente pode acarretar em novas barreiras comerciais. Além disso, grandes varejistas de alimentos, em especial na Europe, vêm ameaçando impor sanções e restrições para a compra de produtos brasileiros que podem estar ligados, direta ou indiretamente, ao desmatamento na Amazônia.


2. Gestão de riscos

A JBS possui compromissos mais ambiciosos em relação ao combate ao desmatamento na cadeia de fornecedores: Apesar das três empresas avaliadas poderem ser negativamente afetadas por riscos relacionados ao desmatamento, o compromisso e esforços implementados são um fator importante para mitigação. A JBS atualmente possui os compromissos mais ambiciosos, com o objetivo de eliminar o desmatamento em sua cadeia direta e indireta até 2025.

3. Cenários

De forma a entender os potenciais impactos financeiros relacionados a desmatamento, nós modelamos dois cenários, que podem ser avaliados na versão completa do estudo. Os drivers de impacto calculados estão listados abaixo:


Redução nas vendas por boicotes: conforme mencionado anteriormente, a indústria de proteína anima enfrentou diversos casos de barreiras não tarifárias nos últimos anos. A preocupação relacionada a riscos de desmatamento em produtos do gênero vem aumentando internacionalmente. Além disso, diversos varejistas de alimentos vêm ameaçando restringir a compra de produtos que possam estar direta ou indiretamente ligados ao desmatamento na Amazônia. Em 2021, mais de 21 varejistas europeus, incluindo Morrisons, Tesco e Sainsburry’s ameaçaram boicotar produtos agrícolas brasileiros para preservação da Amazônia. Seis varejistas anunciaram que deixariam de importar produtos derivados de gado brasileiro em 2022.


Aumento no custo de capital: Investidores e credores estão adotando cada vez mais compromissos ligados a descarbonização de portfólio e combate ao desmatamento na Amazônia. Mais de 30% dos credores de JBS, Minerva e Marfrig possuem, em alguma medida, políticas e compromissos para combater o desmatamento em seus portfólios. Portanto, o desmatamento associado a fornecedores diretos e indiretos pode representar um maior custo de capital para essas empresas no futuro. Em 2020, 30 investidores internacionais enviaram uma carta ao governo brasileiro para exigir ações mais efetivas no combate ao desmatamento na Amazônia. No mesmo ano, a Nordea vendeu EUR 40 milhões em ações da JBS por questões análogas.


Danos a reputação devido a desmatamento na Amazônia e Cerrado: De acordo com levantamento da Migthy Earth e Aidenvironment, as três empresas estiveram ligadas a mais de 200 mil hectares de desmatamento na Amazônia e Cerrado entre 2019 e 2020. Desses, cerca de 150 mil hectares de desmatamento potencialmente ilegal. Apesar de ser difícil precisar os custos desses impactos indiretos, as empresa estão expostas a danos da reputação e penalidades legais.

Acesse o estudo

Quero baixar

Realização